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NÃO ERAM OS FOGOS.

Certa noite sentei em um banco qualquer, de uma praça qualquer para espiar os fogos de artifício. Estava absorta em pensamentos. Não eram os fogos e tampouco a noite de natal que me inquietavam,

mas o fato de que, por diversas vezes, preferimos engolir a seco tudo que sentimos, a ter que exteriorizar um pingo de sensibilidade a quem de fato amamos.

Por que escolhemos enrustir sentimentos? Claro... Somos humanos. E miseravelmente esquecemos, que o tempo com o outro é finito.

Entre meus devaneios, ele chegou. Sem pressa, sentou-se ao meu lado. Perguntei:

- Tudo bem com o senhor? Ele disse que estava com uma dorzinha importuna, mas que logo passava – todavia, estava tudo bem.  

– Não fique triste; ele disse. Como se profetizando meus pensamentos. Eu o beijei no rosto e ele se foi para sempre.

Certa noite sonhei com meu falecido avô...

 

Lú Fideliz.